Quando cheguei na escola hoje pela manhã, umas alunas do quarto ano Normal - o equivalente ao antigo magistério - me pediram para passar em sua sala depois, pois queriam falar comigo.
Passei na sala no intervalo e fui supreendido com um convite que me deixou muito honrado e ainda mais bobo que o normal: a turma me convidou para ser o padrinho de formatura deles.
Deve ter sido uma das raras vezes em que fiquei realmente sem saber o que dizer. Agradeci o convite, aceitei e sai da sala meio bobo ainda, sem entender direito o que tinha acontecido.
Entendam, nunca achei que fosse ser padrinho de alguém (nem minhas irmãs me deram suas filhas para apadrinhar) e não acho que tenho o perfil usual que as turmas escolhem para seus padrinhos. Não sou velho, rico e nem bem-sucedido. Sou apenas um professor meio palhaço que tenta dar suas aulas da melhor maneira possível e sobreviver o mês inteiro com um saláriozinho de merda.
Creio que eu não tinha a noção de que aquilo que faço influencia a vida das pessoas, desperta sonhos, cria questionamentos, gera esperança. É uma sensação extremamente prazerosa, sem dúvidas, mas também me joga todo um novo peso de responsabilidade que eu não imaginava existir.
Bah, que se dane!
Esse papo de questionamento e honra é coisa viado. Quero mais é comer água nessa festa de formatura!
Preciso começar a pensar em meu discurso…
Leave a Reply