EMM » Blog Archive » Geléia

O que é EMM?

Um apelido "carinhoso" que ganhei há alguns anos. Aquilo que deveria ter sido uma ofensa acabou virando um elogio, e resolvi admitir que sou mau e misterioso. Ou ao menos finjo isso muito bem.

Esse texto é de um amigo meu, o irmão mais novo que não tive. Como sou citado nele, achei que valeria a pena postá-lo no blog. Divirtam-se:

Conheço esse negócio de apelido de perto.
Â
Aos 12 anos, eu era completamente roliço e MUITO mais branco do que sou hoje. Mas muito mesmo, tipo folha de ofício. E minha camiseta favorita no verão era uma verde sem manga. O verde refletia na minha pele.
Â
A escola onde eu estudava desde a segunda série só ia até a sexta. Então, pra sétima eu precisei mudar de escola. Devido a uma promessa do patrão da minha mãe de que ia me conseguir uma bolsa, fui para uma particular, o Dom Bosco.
Â
Primeiro dia de aula, eu não tinha uniforme ainda e fui com minha camiseta favorita. Foi o que bastou pra turma do fundão da aula me chamar de Geléia. Sim, o mascote dos Caça-Fantasmas. Rosnei alguma coisa de volta, e foi aí que o apelido pegou mesmo. Em dois meses, até as crianças da primeira série me chamavam de Geléia, porque os irmãos dos meus colegas espalharam.
Â
Como não rolou a bolsa e a mãe não tinha como pagar o ano seguinte no colégio particular, no ano seguinte fui para outra escola, pública, que só tinha até a oitava série. O Daniel HDR, inclusive, estudava lá e era grande parceiro de conversas sobre gibis. O único, até então, que eu tinha conhecido em uma escola. Um dia um colega meu me convida pra ir ao Dom Bosco pra ver uns amigos jogarem bola. Fui. Chegando lá, um monte de gente vem me cumprimentar: “E aí, Geléia?”. Meu colega fez cara de paisagem. Na semana seguinte, todo mundo na escola pública sabia meu apelido.
Â
No final do ano, tinha teste de seleção pras escolas públicas que tinham um bom segundo grau. Fiz teste de seleção e passei no Piratini, pra estudar de manhã. No primeiro encontro com a turma com a qual eu estudaria, vejo um colega meu da sétima série. Que faz questão de me chamar pelo apelido. Os colegas que estavam junto fazem cara de paisagem, mas a partir do primeiro dia de aula o apelido pegou.
Â
Como passei a trabalhar de manhã, fui a estudar à noite. No segundo ano, ninguém me conhecia pelo apelido de Geléia. Mas como eu era cabeludo e espinhento, e usava uma jaqueta cheia de patches de heavy metal (a danada quase andava sozinha), me apelidaram de Jason.
Â
Depois do terceiro ano fui fazer cursinho. Depois entrei na faculdade, e ninguém lá nem conhecia meu apelido e nem inventou outro. De 1994 ao final de 2000, nunca mais ninguém me chamou de Geléia.
Â
Aí houve o incidente que fundou a Morsas. Naquela briga toda, eu já tinha saído da Falecidotas fazia um tempão. Num sábado, eu tô trabalhando e recebo um telefonema com sotaque baiano na redação:
Â
– Eu góstaria de falar com o senhor Géléia!
– Puta que pariu, Dudu!!! Como é que tu descobriu, seu viado?
– Ah, não vou contar!
Â
Seguiu-se um agradável papo sobre o que era feito do amigo que viria a se tornar meu Mano Velho. Foi nesse dia que ele me convidou pra dividir apartamento pela primeira vez. Eu recusei, porque estava bem onde estava. Ou achava isso. Coisa de um mês depois, eu mudaria de idéia e o resto virou lenda.
Â
Sabe como ele descobriu? Mano Velho era o webmaster do site dos Digimon na Abril. A Abril publicava uma tradução do gibi dos Digimon que saía lá fora. Quem desenhava esse gibi era o Daniel HDR, que por sua vez e por dever de ofício era amigo do Mano Velho.
Â
Depois daquele dia, passei um tempão sem ser chamado pelo apelido, exceto eventualmente por alguns ex-colegas do primeiro grau quando vou a Porto Alegre. Aí inventam o tal do Orkut e todo mundo acha todo mundo. (Aliás, é incrível: dos colegas do primeiro e segundo grau que encontrei no Orkut, as gurias todas têm filhos e os guris tão todos carecas.) Então, encontrei um cara que tinha uma banda comigo no segundo grau. Pô, quanto tempo, que saudade, olha só o que a gente não acha no Orkut. E ele me lasca um testimonial dizendo algo como “onde mais que eu ia achar meu grande amigo Geléia?”.
Â
Nunca mais escrevi pra ele. Viadinho. 


Leave a Reply